Verdades e mentiras sobre o ‘spinner’, o brinquedo que está distraindo seu filho na classe

Spinner

Custa uns 8 reais, é vendido em qualquer loja de bairro de chineses e um grande número de estudantes entre 7 e 14 anos tem um nas mãos neste momento. Há algumas semanas ninguém sabia o que era um fidget spinner. Hoje, pais, professores e especialistas convivem com esse brinquedo ao qual são atribuídas, não sem certa polêmica, propriedades terapêuticas e antiestresse.

O invento não poderia ser mais simples. Trata-se de um troço de plástico (o mais comum, mas há de outros materiais) que pode ficar girando nos dedos entre 2 e 4 minutos, dependendo da energia com a qual for impulsionado. O básico, de três pontas, é o mais vendido, embora também haja designs com duas ou cinco pontas. Há modelos coloridos e estampados, alguns até se iluminam. Trata-se, definitivamente, de uma espécie de pião moderno.

Ainda há muito desconhecimento em torno dos spinners. Por isso, o EL PAÍS se propôs a analisar os aspectos cruciais de seu sucesso, ajudados por especialistas que esclarecem o que há de verdade em tudo o que se conta sobre esse brinquedo.

Mentira: é terapêutico

“No momento, vender um spinner como um remédio para transtornos de déficit de atenção é uma fraude. É preciso pesquisar muito mais. É muito preocupante a tendência da sociedade de vender qualquer coisa como terapêutica sem evidências científicas”, argumenta a psiquiatra infantil Beatriz Martinez.

O spinner é vendido como brinquedo terapêutico para crianças com déficit de atenção e até como um apetrecho antiestresse para adultos. No entanto, os especialistas com os quais conversamos não acreditam na sua capacidade reabilitadora. “Conseguir fazer com que uma criança com déficit de atenção se concentre em algo que se move é simples, mas não produtivo porque não tem repercussão no longo prazo. O spinner não regula o sistema atencional, que é o que realmente se precisa trabalhar nesses casos”, argumenta Álvaro Bilbao, neuropsicólogo e autor do livro El Cérebro del Niño Explicado a los Padres (O Cérebro da Criança Explicado aos Pais).

Segundo o especialista, o que realmente funciona é trabalhar o autocontrole, os limites e as normas. “A conquista é conseguir que a criança se concentre sozinha, sem ajuda de um dispositivo hipnótico. Uma boa forma de incentivar isso em um caso de déficit de atenção é estimulá-la para que aguente o máximo possível tranquila e concentrada, fazendo a lição de casa, por exemplo, sem a ajuda de nenhum impulso externo, e que vá superando sua marca pessoal.”

“É preciso enviar mensagens realistas aos pais e não vender remédios milagrosos que não existem. Eu não os compraria para meus filhos. Mas também não quero causar alarme: um spinner é totalmente inócuo”, afirma o neuropsicólogo.

fonte: EL PAIS

 

 

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